Paulo Menotti Del Picchia
Paulo Menotti Del Picchia nasceu em 20 de março de 1892, na cidade de São Paulo, capital do estado. Seus pais foram Luigi Del Picchia (também grafado como Luís Del Picchia) e Corina Del Corso Del Picchia. Ambos eram de origem italiana, da região da Toscana.
Menotti mudou-se para Itapira, no interior de São Paulo, ainda criança, onde passou parte de sua infância e adolescência. Seus estudos iniciais foram em Campinas e ele se diplomou em Ciências e Letras em Pouso Alegre, Minas Gerais. Posteriormente, cursou Direito na Faculdade de Direito de São Paulo.
Sua estreia na literatura ocorreu em 1913, com o livro de poesias "Poemas do Vício e da Virtude". Em Itapira, dirigiu jornais e publicou obras importantes, como os poemas "Moisés" e "Juca Mulato" (1917), considerada por muitos sua obra-prima.
Menotti Del Picchia é um dos nomes centrais da Semana de Arte Moderna de 1922, evento que marcou um divisor de águas na arte e literatura brasileiras. Ele participou ativamente do evento, sendo um de seus oradores oficiais. Após a Semana, ele se alinhou aos grupos Verde-Amarelo e Anta, que tinham uma vertente nacionalista e se opunham ao movimento Pau-Brasil, de Oswald de Andrade.
Além de poeta e escritor, Menotti foi um jornalista prolífico, trabalhando em diversos jornais de destaque. Sua carreira pública também incluiu cargos como tabelião, advogado, procurador geral do Estado de São Paulo e político, atuando como deputado estadual e federal. Ele também foi diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em São Paulo.
Sua importância no cenário literário é atestada por sua filiação à Academia Paulista de Letras e, em 1943, à Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a Cadeira nº 28. Em 1982, recebeu o título de "Príncipe dos Poetas Brasileiros". Sua obra abrange poesia, romances, contos, crônicas, ensaios e literatura infantil, deixando um vasto legado para a cultura brasileira.
O poeta Menotti Del Picchia observou, também, fenômenos espíritas, inclusive, produzidos pela mediunidade de sua esposa, Antonieta Rudge, notável pianista patrícia. O autor de Jucá Mulato , porém, nunca se declarou espírita, mas a verdade é que nutria ele pelo Espiritismo o mais profundo respeito, pois várias vezes fez conferências na Federação Espírita do Estado de São Paulo perante imenso público, além de dar um parecer favorável sobre o médium Francisco Cândido Xavier. E não é só. Menotti Del Picchia opinou, também, sobre o livro “Antologia do mais além” , que reúne poesias de 44 poetas do Além. Esse livro contém trezentas páginas psicografadas por Jorge Rizzini.
Sabe-se que Menotti Del Picchia, assim como a modernista Tarsila do Amaral, valorizava o trabalho de Chico Xavier. Inclusive, ele chegou a escrever o prefácio do livro "Sol" (1942), de Almir Rodrigues Bento, um jornalista e espírita, que em seus poemas deixava clara sua crença religiosa.
Menotti Del Picchia teve sete filhos com sua primeira esposa, Francisca Rocha Sales (também grafada como Francisca Avelina da Cunha Salles). Eles se casaram em 1912. Posteriormente, ele se separou de Francisca em 1924 (embora tenha convivido com ela até 1930) e manteve um longo relacionamento com a pianista Antonieta Rudge, com quem se casou após o falecimento de Francisca em 1967. No entanto, os sete filhos são frutos do primeiro casamento.
Menotti Del Picchia faleceu em 23 de agosto de 1988, aos 96 anos em São Paulo.
Fonte: Escritores e Fantasmas, de Jorge Rizzini.
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