Olhai os pássaros das águas
Muito queridos amigos fiéis leitores do Jornal O Imortal. Me sinto agraciada pela oportunidade de escrever meus pequenos e simples "articles", na coluna “Crônicas de além-mar”. Desde 2006 aqui estamos fielmente, dedicando esta página a todos vocês. Sinto tanto carinho ao escrever que me sinto conversando com cada um. A vontade é muito grande de dividir com todos, os momentos de inspiração que me toca a alma, e escorre pelos meus braços e me direciona a escrever.
Ontem, minha amiga de Chertsey me levou a um café da tarde em Egham. O que vivenciei nas estradas internas do "coutryside", isto é, do interior, desde o condado de Surrey no Reino Unido, me fez elevar meu espírito às paragens divinas, tão lindo foi o trajeto de menos de meia hora.
Se algum dos leitores conhece esse condado, mais especialmente os arredores e a pequenina cidade de Virginia Water, vai neste momento, comigo, percorrer esses caminhos de contos de fadas.
Imagine árvores centenárias nos dois lados do asfalto, estreito, onde ao se cruzar com outro veículo, faz-se uma manobra muito especial, colocando o carro bem à margem pertinho das árvores, para deixar o outro veículo passar. É comentado que os ingleses são muito educados, gentis no trânsito, mas observando de perto no dia a dia, se não agirem assim, os acidentes e estragos nos espelhos laterais dos carros se tornariam uma pandemia de incidentes desnecessários. As estradas não são alargadas. São assim desde o tempo dos cavalos e carroças. Então, o recurso é ser mesmo gentil, paciente, ou arcar com estragos e perda de tempo e dinheiro.
Bem, no caminho muitas “gentis paciências” foram colocadas em prática pelos motoristas. Em meio a tudo isso, olhando as árvores, as curvinhas das estradinhas, as árvores florescidas brancas ou cor de rosa, o bucolismo da tarde, o atravessar em fuga rápida de uma raposa, o canto dos pássaros, oh! meu Deus, que cenário maravilhoso. Eu por mim, ficaria ali... Mas preferi guardar na minha mente tudo o que eu estava vivenciando, como em um sonho de beleza ímpar. Falei muitas vezes pra mim mesma, uma que outra vez, em voz alta: Como eu amo tudo isso, parecem recordações de um passado distante! Eu até previa que ao final de determinadas curvas, se poderia ver o campo verde, casas ao longe. Algumas residências, de alto valor, parecem ter mais de 200 anos, lindas e imponentes.
Um pouco antes da região das árvores maravilhosas, que fazem na primavera um túnel de sombras, me deparei com os lagos, os "reservoir", o rio Tâmisa, onde a mixagem de pássaros, aves aquáticas ou do ar, me deixaram de boca aberta, como se diz no popular.
Eram cisnes, gansos selvagens, patos coloridos, patos da água, pombas gigantes, rolas, “robins” de peito alaranjado, tudo isso ali nas margens do Tâmisa, rodeados de "daffodils", a flor símbolo da Inglaterra. Naquela tarde o sol estava radiante, mesmo com o frio de 8 graus. Aqui o nativo inglês não se prende em casa no frio, já é hábito caminhar muito nos "pathways" entre as florestas. Paramos o carro e eu queria absorver a paisagem, guardar na memória as cores dos pássaros e aves, disputando a beleza do momento, com os caminhantes que respeitam as aves, e se fazem ao largo, para não espantá-las.
Prosseguimos nas estradinhas idas e vindas, e enderecei aos céus a prece de gratidão por tanta beleza nos ser ofertada por Deus.
Fiquei pensando no meu pequenino Solomon, que desde os dois meses de idade aprendeu a respeitar o outro animal ou ave, assim granjeando muitos amiguinhos aqui na Inglaterra. Continua sendo um "gentleman canino", nos seus quase 4 anos, agora em abril de 2025. Eu aqui, fico na saudade de meu pequenino, que futuramente retornará para as terras de além-mar.
Elsa Rossi, escritora espírita radicada no Reino Unido, é presidente do Allan Kardec Study Group-Centre for Spiritist Teachings e presidente da União das Sociedades Espíritas Britânicas – BUSS.
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