W. B. Yeats, o poeta inspirado pelo Além
William Butler Yeats nasceu em 13 de junho de 1865, em Sandymount, Dublin, Irlanda, e desencarnou em 28 de janeiro de 1939, em Roquebrune-Cap-Martin, França. Era filho do pintor John Butler Yeats, que abandonou a advocacia para dedicar-se à arte, e de Susan Mary Pollexfen, pertencente a uma tradicional família de Sligo, de quem herdou o gosto pelas lendas e tradições populares que marcariam profundamente sua obra.
Embora a família tenha se mudado para Londres em 1867, Yeats passou boa parte da infância em Sligo, região cuja paisagem, mitos e folclore exerceram influência decisiva sobre sua poesia. Estudou em Londres e Dublin e, além de poeta e dramaturgo, foi senador do Estado Livre Irlandês.
Seu interesse pelos fenômenos psíquicos surgiu ainda jovem, quando presenciou manifestações consideradas sobrenaturais em uma casa tida como assombrada. A partir daí, dedicou-se durante toda a vida ao estudo do espiritualismo, interesse que apenas a poesia rivalizou em intensidade.
Em cartas à escritora Katherine Tynan, Yeats comentava experiências relacionadas ao invisível. Numa delas escreveu:
"Vou-lhe contar uma história de espiritismo."
Relatou o caso de uma amiga da médica e mística Anna Kingsford que, após orar junto ao túmulo da falecida, sem obter qualquer sinal, recebeu dias depois uma carta escrita mediunicamente por uma jovem escocesa. A mensagem dizia:
"Você está perdendo as suas faculdades e nem sequer pode ouvir a minha voz. E eu não lhe posso falar pelos médiuns."
Outro importante interlocutor de Yeats foi George Russell (A. E.), poeta e místico irlandês, com quem manteve rica correspondência sobre reencarnação e fenômenos psíquicos. Em 1892, Yeats registrava:
"As minhas possibilidades pessoais no ocultismo há muito que me têm comunicado numerosos fatos curiosos e futuros."
Seu envolvimento com essas pesquisas intensificou-se a partir de 1917, quando se casou com Georgie Hyde-Lees. Logo após o casamento, ela passou a produzir escrita automática, que ambos atribuíam à orientação de entidades espirituais. Esse material serviu de base para a obra A Vision, publicada em 1925 e revista em 1937, na qual Yeats desenvolveu sua original concepção filosófica e espiritual da existência.
Em sua correspondência, descreve diversas sessões mediúnicas que considerava convincentes. Numa carta ao pai, relata ter conhecido uma jovem médium que, durante o transe, escrevia em vários idiomas que desconhecia em estado normal. Yeats afirmou submeter essas manifestações à análise de especialistas do Museu Britânico e declarou conhecer todas as hipóteses racionalistas para explicar tais fenômenos — fraude, ação inconsciente ou memória latente —, concluindo, entretanto, que nenhuma delas explicava satisfatoriamente os casos estudados.
Enquanto aprofundava essas pesquisas, sua carreira literária alcançava projeção internacional. Em 1922 tornou-se senador do Estado Livre Irlandês e, no ano seguinte, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.
Nos anos seguintes, participou de sessões mediúnicas com a célebre médium escocesa Helena Duncan e também frequentou reuniões na casa de Hester Dowden, em Dublin, onde presenciou comunicações que considerava significativas.
A médium Geraldine Cummins relata, em seu livro O Espírito na Vida e na Morte, uma dessas reuniões, em que o comunicante descreveu detalhes de um antigo castelo recentemente adquirido por Yeats, associando-o a acontecimentos históricos desconhecidos dos presentes.
Em carta dirigida à amiga Olivia Shakespear, Yeats demonstrou como conciliava sua produção literária com suas convicções espiritualistas, chegando a mencionar Emanuel Swedenborg e a defender que muitas experiências dos espíritas mereciam ser examinadas seriamente.
Quando George Russell desencarnou, em 1935, Yeats escreveu à poetisa Dorothy Wellesley:
"Tudo vai bem com George Russell."
Acrescentou, com sua habitual sensibilidade, que o amigo não se comunicava porque já não possuía vínculos terrenos suficientemente fortes para chamá-lo de volta.
Pouco antes de sua própria desencarnação, escreveu à Lady Elizabeth Pelham:
"Tenho a certeza de que a minha vez não tardará."
Yeats repousa fisicamente em Sligo, terra que tanto amou. Sua obra, porém, permanece viva, colocando-o entre os maiores poetas da literatura universal.
Para muitos estudiosos, o interesse permanente de William Butler Yeats pelos fenômenos espirituais não constituiu mera curiosidade intelectual, mas uma das principais fontes de inspiração de sua poesia, conferindo-lhe a profundidade metafísica que distingue sua produção literária e o consagra como um dos grandes nomes da literatura do século XX.

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