Pílulas gramaticais (Junho de 2026)
Um leitor pergunta-nos como devemos utilizar as palavras “onde” e “aonde”.
Como norma, onde indica permanência, estada, ocorrência “em” um lugar:
- Onde você estava?
- A cidade onde vivi na infância.
- Você nasceu onde?
- A estrada onde ocorreu o acidente.
- Onde foi que vocês casaram?
A palavra aonde indica movimento “para” um lugar:
- Aonde você foi?
- Sei aonde você pretende ir.
- Aonde você for eu vou.
“Aonde” funciona também como interjeição, mas aí estamos diante de um brasileirismo que indica descrença ou dúvida ante uma afirmação:
• João sofreu um infarto fulminante.
• Aonde!
*
Uma observação importante a respeito do uso da palavra “onde” é que, segundo alguns estudiosos, “onde” equivale a “em que” somente quando a referência for a um lugar físico:
- A cada onde nasci (A cada em que nasci).
- A avenida onde ocorreu o acidente (A avenida em que ocorreu o acidente).
- O prato onde a mosca pousou (O prato em que a mosca pousou).
- O edifício onde mora minha irmã (O edifício em que mora minha irmã).
Se a referência não for a um lugar físico, constitui erro usar “onde”, que deve então ser substituído por expressões equivalentes: em que, no qual, na qual:
- O século em que nasceu. (E não: O século onde nasceu.)
- O capítulo em que leu a história. (E não: O capítulo onde leu a história.)
- Na época em que tudo aconteceu. (E não: Na época onde tudo aconteceu.)
- Teve um emprego em que se realizou. (E não: Teve um emprego onde se realizou.)

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