Lembrando as Mães
O mês de maio é suavizado pela lembrança amorosa das mães. Mães cujos dias são todos, aquelas que foram os anjos de amor de nossas vidas e nos ajudaram a chegar aonde chegamos, a cortar as arestas de nossas imperfeições para nos ajudarem na marcha evolutiva.
Aqueles que ainda estão com suas mães encarnadas, aproveitem bem. Mimem-nas com todo o amor, como as rainhas de suas vidas. Façam por elas tudo o que puderem. Digam “eu te amo” todos os dias e abracem-nas sempre, beijem-nas nas faces, afaguem seus cabelos, obedeçam-nas. Elas merecem. Deram-nos vida, educação, amor.
Para homenageá-las, vamos aqui transcrever uma poesia de Auta de Souza, do Parnaso de Além-Túmulo, psicografado por Chico Xavier.
Mãe
Ó minha santa mãe! Era bem certo
Que entre as preces maternas estendias
As tuas mãos sobre os meus tristes dias,
Quando na Terra — que era o meu deserto.
Nos instantes de dor, bem que eu sentia
As tuas asas de anjo da ternura,
Feitas de prantos e melancolia.
Flor ressequida eu era, e tu o orvalho
Que me nutria, pobre e empalidecida;
Era a tua alma a luz da minha vida,
Meu tesouro, meu dúlcido agasalho!...
Ai de mim sem a tua alma bondosa,
Que me dava a promessa da esperança,
Raio de luz, de amor e de bonança,
Na escuridão da vida dolorosa.
E que felicidade doce e pura,
A que senti após a treva e a morte,
Findo o terror da minha negra sorte,
Quando vi teu sorriso de ventura!
Então, senti que as mães são mensageiras
De Maria, mãe de anjos e de flores,
E mãe de nossas mães, cheias de amores,
Nossas meigas e eternas companheiras!...
Todos nos lembramos das queridas mães que temos ou que tivemos. Enviadas do amor de Deus para nos aceitar como filhos, nós, espíritos tão necessitados de tantas vidas! O amor, soberano amor, virtude sublime, vem nos estender a oportunidade de chegar a ele, esse sentimento por excelência, pelas reencarnações que nos são ofertadas por nossas mães, no santuário de seu próprio ventre e, após, nos tenros anos, cuidando, até que cada um possa alcançar sua capacidade de cuidar de si mesmo.
Nosso querido Hugo Gonçalves, o respeitado diretor do jornal “O Imortal” até a sua desencarnação, o amado “Paizinho Hugo”, de Cambé, tinha um amor muito profundo por sua mãe. Todos os anos ele lhe escrevia uma homenagem, na época do Dia das Mães, para ela, dona Cândida. Do livro “O Abnegado Servidor”, de nossa autoria, que conta seus casos, retiramos umas palavras por ele tecidas para a sua mãe, em maio de 1998:
“Mãe, hoje é o teu dia.
Cantam os anjos nos céus, anunciando o grande dia, que é dia de paz, é dia de luz, é profundo amor. Cantam as crianças ao teu redor.
A minha intenção não é elogiar, mas sim dizer o que sinto, o que vai dentro de mim ao pronunciar o teu nome.
Mãe querida, lembro-me de ti com imensa saudade! Eu sei que estás presente, porque és como a primavera que sempre retorna. Quando retornas, vens coroada de flores!
Hoje fico a pensar em como e onde te encontrar para abraçar-te nesse dia abençoado.
Se te busco entre as flores, vejo-te entre as estrelas e, voltando-me para ti, mãezinha, logo percebo que estás junto de mim.
Vejo-te entre as estrelas, e tu és uma delas, brilhando no infinito azul. Vejo-te entre as flores, porque és a rosa perfumada do meu jardim. Vejo-te, mãezinha, nas minhas horas de incertezas, apontando-me o alvo para a solução dos meus problemas. Vejo-te quando, em prece, procuro falar com Jesus. Vejo-te à minha frente, sorrindo, acenando com alegria, incentivando-me quando, na tribuna, tento falar da consoladora mensagem da esperança que há 2000 anos o Divino Amigo nos deixou como dádiva de amor.
Mãe, no silêncio da noite eu te vejo cultivando flores que nos trazes em forma de amor.
Vejo-te no gorjeio dos pássaros, quando cantam em revoada, anunciando um novo dia. Vejo-te nos últimos raios de sol, quando a noite desce e a gente ouve, no silêncio, a voz da natureza, que, em prece, sem palavras, nos fala de Deus.
Vejo-te, minha mãe, na luz do luar. Vejo-te e te ouço no murmúrio das águas que rolam nas cachoeiras, cantando entre as pedras, num murmúrio que é a voz de Deus, cantando em tudo o que nos cerca.
Vejo-te nas noites festivas, sorrindo entre nós.
Vejo-te, minha mãe, na madrugada triste, no ruflar do vento que passa mansinho; em tudo eu te vejo e não posso esquecer que tu és a razão do meu viver.
Obrigado, minha mãe, muito obrigado, obrigado, sim, porque sem ti eu não existiria.
O que te posso oferecer hoje, senão a minha gratidão, as minhas lágrimas de saudade e de alegria, por ter-te tão perto, falando baixinho: “Meu filho!”
No silêncio eu ouço a tua voz. Ouço-te também no gorjeio dos pássaros, no sorriso da criança, na voz da mãe quando canta: “Nana, filhinho”. A tua voz ecoa constantemente dentro de mim, falando de Deus, do céu, da Terra e dos grandes espíritos.
Mãe, ajuda-me agora a agradecer a Deus, porque vivo e tenho a ti.
É hora de recolher-me. Sim, vou recolher-me, mas não posso fazê-lo sem pedir, de joelhos, a tua bênção.
A bênção, minha mãe! Vou descansar, vela por mim.”
Com essas palavras do nosso Paizinho Hugo, deixamos aqui um abraço fraterno e nossa gratidão a todas as mães da Terra!

Comentário