Alegria que se multiplica em terras de além-mar

Olá, meus queridos e queridas leitores do nosso muito amado jornal O Imortal,

Hoje, ao refletir sobre os inúmeros acontecimentos deste primeiro semestre — os encontros, as viagens, as oportunidades de levar a mensagem espírita a ambientes não necessariamente espíritas, mas espiritualistas — fui tomada por um sentimento profundo de gratidão.

A forma como somos recebidos, o carinho, a abertura dos corações… tudo isso nos transforma. Faz-nos crescer espiritualmente. Uma alegria serena, mas intensa, toma conta dos pensamentos, da consciência — e dá vontade de cantar por onde passamos.

E eu canto mesmo! E, se me permitem, até danço.

Danço nas ruas, ao som de músicos nos metrôs, celebrando a vida. Agradeço com um sorriso, com um gesto, com uma pequena contribuição quando possível — e, quando não há moedas, às vezes ofereço um pedaço de bolo que carrego na bolsa. São gestos simples, mas que criam vínculos, espalham alegria e aquecem o coração.

Lembro-me, em especial, de uma experiência vivida em 2017, durante uma viagem com um grupo muito querido, coordenado por nosso amigo Altino Mageste, no GAPE — Grupo Amigos de Paulo e Estêvão. Estávamos na Grécia e, depois, seguimos para a Itália.

Em Roma, próximo ao Coliseu, alguns jovens tocavam guitarra, e a música ecoava entre aquelas paredes antigas, carregadas de história. Era como se o passado e o presente se encontrassem em harmonia, enquanto o futuro nos convidava à esperança.

Naquele instante, fui tomada por uma alegria indescritível — e comecei a dançar. Logo, outros amigos se juntaram: e ali estávamos, unidos pela música, pela amizade e pela vida, dançando sob o céu da Cidade Eterna.

Mais tarde, refletindo sobre aquele momento, compreendi ainda mais profundamente o significado da alegria espiritual.

Estávamos, naquela viagem, estudando a obra Paulo e Estêvão, de Emmanuel — revisitando locais históricos onde Paulo e Pedro estiveram presos, em condições tão difíceis, privados de luz, onde um simples raio de sol era um verdadeiro tesouro.

E, ainda assim, perseveraram.
Levaram a mensagem do Cristo aos corações.

E nós? O que fazemos hoje?

Também somos convidados a levar essa mensagem — mas com alegria, com leveza, com amor na prática: no atendimento ao próximo, na oração, no sorriso, na presença amiga, na palavra que consola.

Tudo isso faz parte do nosso crescimento espiritual.

Por isso, meus amigos, ao chegarmos a este mês de agosto, desejo partilhar convosco esta alegria do coração: onde quer que estejamos, podemos levar o bom, o belo e o essencial.

A ética e a moral caminham juntas.  E cada situação pode transformar-se numa oportunidade de aprendizado — sem lamentações, sem julgamentos, sem palavras que ferem, mas com gratidão e confiança.

Como nos ensina Paulo de Tarso: em tudo devemos dar graças.

Mesmo a dor, quando chega, pode ser um convite à reflexão. Um momento de pausa, de cuidado, de recolhimento. Um freio amoroso que nos impede de seguir, por vezes, caminhos precipitados.

Se soubermos transformar um simples copo de água em alívio para a sede — e não em tempestade — caminharemos mais longe, com mais serenidade.

Levamos conosco os ensinamentos de Jesus, conscientes de que a espiritualidade que nos acompanha nos vê, nos ouve e nos inspira. E, conforme pensamos e agimos, também atraímos aqueles que conosco caminham, na dimensão espiritual.

Assim, o trabalho que realizamos aqui na Europa é, acima de tudo, um trabalho de alegria. Ele preenche a alma, ilumina o coração e fortalece o propósito de continuar.

Peço a Deus que me conceda saúde para seguir trabalhando, escrevendo para o nosso querido O Imortal e vivendo essa jornada de luz em terras de além-mar.

Fiquemos com Deus.
 

Elsa Rossi, escritora espírita radicada no Reino Unido, é presidente do Allan Kardec Study Group-Centre for Spiritist Teachings e da União das Sociedades Espíritas Britânicas – BUSS.



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