Saudações aos Pais
“... Amareis o Senhor, vosso Deus, de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e de todo o vosso espírito. Eis o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, que é semelhante a este: Amareis o vosso próximo como a vós mesmos. Toda a lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos...”
(Jesus. Mateus, cap. XXII, vv. 34 a 40.)
O amor é de essência divina. Somos todos filhos de Deus. Feliz aquele que ama!
Todos os seres amam alguém: a mãe, um filho, o pai ou qualquer pessoa que faça parte de suas melhores recordações.
As mães jamais são esquecidas quando existe amor. Hoje, porém, gostaríamos de lembrar os pais, já que agosto nos traz a celebração do Dia dos Pais.
Na verdade, todos os dias são dias de amar. Todos os dias pertencem aos pais, às mães, aos filhos, aos avós, aos amigos e aos parentes. Quando aprendermos a amar mais, todos os dias serão dedicados a todos os filhos de Deus.
Há aqueles que se distinguem pelo amor, pela probidade e pela honra, marcando com seus exemplos de dignidade a vida de filhos, netos e de todos os que com eles convivem. Temos a oportunidade de ouvir muitos relatos de amor e até de presenciar esse sentimento sublime naqueles que reconhecem o bem recebido de quem os educou.
Vemos muitos filhos dedicando-se aos pais idosos, seja à mãe, seja ao pai.
Hoje, porém, vamos nos deter na figura paterna.
Recordamos um episódio ocorrido quando tínhamos entre dez e onze anos de idade. Talvez já o tenhamos mencionado anteriormente, mas vale a pena relembrá-lo.
Estávamos na casa de uma amiga muito querida, pertencente a uma família de poucos recursos. Sua mãe era lavadeira de roupas. Moravam em um bairro simples, cuja rua não tinha asfalto nem calçamento. Brincávamos do lado de fora quando sua mãe comentou que a borracha que estava no estojo da filha não lhe pertencia. Nossa amiga respondeu que um colega a havia emprestado e que ela se esquecera de devolvê-la.
Por volta das 17h30, seu pai chegou do trabalho, a pé. Naquela época, poucas famílias possuíam automóvel, e eles realmente não tinham condições de adquirir um. O pai entrou em casa e, pouco depois, saiu novamente. Chamou a filha para irem devolver a borracha ao colega, cujo endereço ele já conhecia.
Nós os acompanhamos. Caminhamos quase quarenta minutos até chegarmos à residência do menino. O pai orientou a filha a tocar a campainha e devolver a borracha. O colega atendeu, surpreso ao vê-la ali. Ela entregou-lhe a borracha, pediu desculpas pelo esquecimento, ele agradeceu e voltou para dentro de casa.
Então, quando ela retornou para junto do pai, estando nós ao seu lado, ele afirmou com uma energia que jamais esquecemos:
— A gente é pobre, mas é honesto!
A força daquela frase nos atingiu profundamente, arrepiando-nos da cabeça aos pés. Nunca mais esquecemos esse episódio. Foi um grande ensinamento para a filha e também para nós.
A honestidade e a honra são valores que os pais de hoje precisam continuar transmitindo aos filhos. Observamos esse ideal em muitos pais jovens, que desejam ver seus filhos honrados, corretos e íntegros de caráter. É esse o desejo dos pais que verdadeiramente amam seus filhos e se dispõem a educá-los.
Outro fato digno de registro foi o relato de uma senhora de aproximadamente cinquenta anos, solteira, que dedicava sua vida aos cuidados dos pais. Ela nos falava com enorme carinho de seu pai, um baiano admirador de Castro Alves, que, aos noventa anos de idade, decorava diariamente uma poesia do grande poeta e promovia serões literários em sua casa.
A irmã mais velha, casada e morando em outra residência, tinha ciúmes da dedicação que ela dispensava aos pais. Certo dia, ofendeu-a duramente. Ela sofreu muito. Não revidou, porque aprendera com o pai que isso não era digno. Entretanto, não conseguia esquecer a ofensa e chorava diariamente. Ia para o quintal, sentava-se à sombra de um abacateiro e ali derramava suas lágrimas.
O pai observava tudo em silêncio.
Quatorze dias depois, aproximou-se da filha e lhe disse:
— Minha filha, quando um soldado cai num campo de batalha, ele se levanta e continua a lutar, porque, se permanecer no chão, morrerá fatalmente. Faz duas semanas que você caiu. Quando pretende levantar-se e continuar a luta?
Ela refletiu e compreendeu que ele tinha razão. Lavou o rosto, enxugou as lágrimas e decidiu que a irmã agira movida pelo ciúme. Conseguiu perdoá-la.
Ao recordar esse episódio, falava-nos do pai como de um verdadeiro tesouro. E, de fato, ele o era.
Há numerosos episódios no Novo Testamento em que pais, tomados por intenso sofrimento, ajoelham-se diante de Jesus para pedir auxílio em favor de seus filhos amados, atormentados por Espíritos obsessores, acometidos por enfermidades ou considerados mortos, como ocorreu com Jairo, que implorou socorro para sua única filha.
Recordamos também o caso de Zacarias, pai de João e Tiago, narrado por Humberto de Campos no livro Boa Nova, psicografado por Chico Xavier. Zacarias procurou Jesus para saber se podia confiar nele, pois seus jovens filhos estavam entusiasmados com seus ensinamentos. Ao conhecer o Mestre e compreender seu programa de amor para a humanidade, mesmo percebendo que seu caminho seria o do sacrifício, disse-lhe, emocionado, que seus filhos lhe pertenciam.
Desde que o mundo existe e o amor começou a florescer entre nós, Espíritos filhos de Deus, há o amor dos pais por seus filhos. É esse amor profundo que levou Quinto Varro, na obra Ave Cristo, psicografada por Chico Xavier, a reencarnar para salvar seu filho Taciano e ajudá-lo a tornar-se cristão.
O amor nos emociona e nos revela que, pouco a pouco, estamos aprimorando nossos sentimentos, até que um dia eles alcancem a sublimação.
Amemo-nos uns aos outros e, sobretudo, sejamos gratos aos nossos pais, que nos educaram e nos legaram o exemplo da retidão.
Aos pais que já retornaram à pátria espiritual, enviemos um beijo de amor e uma prece sincera de gratidão por terem sido nossos pais.
Aos que ainda permanecem entre nós, encarnados, que nosso amor se traduza em cuidado, presença, carinho e muitos abraços.

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