Quando o amor pensa no outro - Arnaldo de Camargo
A felicidade não é uma estação de chegada, mas um modo de viajar. M. Ruberck
Algumas pessoas aprendem cedo que a felicidade não mora apenas nas conquistas que possuímos, mas sobretudo no que ofertamos ao próximo em nossa caminhada.
Conta-se que muitas pessoas estavam reunidas em um bosque de um grande hospital universitário. Era Ano Novo, mas a instituição nunca interrompia o atendimento. Para surpresa de uns e esperança de outros, surgiu um espírito de luz e anunciou:
– Está aqui um Anjo e atenderá um desejo, em nome do médico das almas – Jesus.
Formou-se uma fila silenciosa. Entre os presentes estavam dois amigos que se haviam conhecido nas visitas mensais ao hospital.
Quando chegou a vez do menino mudo, ele se aproximou. Seus lábios nada disseram, mas o coração falou.
Logo depois, o cadeirante fez sua prece e também se afastou.
Pouco depois, algo inesperado aconteceu: o menino que não podia andar levantou-se e deu os primeiros passos. Seus olhos lacrimejaram.
Tomado pela gratidão, voltou ao Ser de luz e disse:
– Senhor, quero agradecer. Agora posso caminhar.
O benfeitor respondeu com ternura:
– Meu filho, escolhi atender o desejo mais justo: o do seu amigo, que nada disse com os lábios, mas pediu com o coração – que você pudesse andar.
O menino compreendeu que o amor verdadeiro não pede para si.
E o bosque pareceu mais iluminado, pois todos perceberam que a verdadeira amizade encontra alegria na felicidade do outro.

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