Juvêncio de Araújo Figueiredo
Juvêncio de Araújo Figueiredo foi um dos grandes vultos do Espiritismo em Santa Catarina, poeta simbolista e médium notável, que dedicou sua vida à divulgação da Doutrina Espírita e à prática da caridade.
Nascido em 27 de setembro de 1865, em Coqueiros, Florianópolis (SC), e desencarnado em 6 de abril de 1927, na mesma cidade, Juvêncio de Araújo Figueiredo foi infatigável servidor da Doutrina Espírita, devendo-se a ele grande parte do trabalho de divulgação realizado no Estado.
Filho de Luiz de Araújo Figueiredo e de Florisbella Maria da Conceição, iniciou sua vida profissional como tipógrafo e, posteriormente, colaborou em diversos jornais de Santa Catarina e de outros Estados.
Poeta de reconhecido talento, integrou o grupo de beletristas de que faziam parte Cruz e Sousa, Manuel dos Santos Lostada, Oscar Rosas, Virgílio Várzea, Horácio de Carvalho e outros escritores catarinenses. Em 1904, publicou Ascetérios e, posteriormente, produziu trabalhos como Praias e Novenas de Maio.
No Rio de Janeiro, conheceu Olavo Bilac e Raul Pompeia e tornou-se companheiro e amigo predileto de Cruz e Sousa. Os dois trabalharam no jornal Cidade do Rio e enfrentaram juntos dificuldades financeiras. Quando Cruz e Sousa foi dispensado, Araújo Figueiredo, em solidariedade ao amigo, também se desligou do jornal.
Na vida pública, exerceu as funções de secretário do Município de São José, Promotor Público em Tubarão e secretário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis. Como Promotor Público, aderiu ao movimento revolucionário contra Floriano Peixoto, recebendo o título honorífico de “Major” das forças contestadoras.
Casou-se com a italiana Maria Conceptta Renzetti, natural de Gênova, com quem teve 17 filhos: Desdêmona, Smyrna, Elzebbad, Antônio, Florisbela, Debbora, Luiz, Conceppta, Dolorata, Maria Conceptta, Zarina, José, Samaritana, Paulo, Maria Cleofas, Cirineu e Pedro. Era tio-avô do governador de Santa Catarina Pedro Ivo Campos.
No campo espírita, fundou, em 1910, o Centro Espírita Templo de Amor e Caridade, presidido por Manuel Santos Lostada, e desempenhou papel de destaque na divulgação do Espiritismo em Santa Catarina. Atualmente, é patrono do Centro Espírita Juvêncio de Araújo Figueiredo.
Araújo Figueiredo destacou-se também como médium, realizando trabalhos de cura por meio de recursos magnéticos, ervas e homeopatia. Sua mediunidade era reconhecida pela segurança, pelo discernimento e pelo cuidado com que submetia os fenômenos ao crivo da razão e da lógica. São numerosos os relatos de curas e de outros fenômenos produzidos por seu intermédio.
Dotado de grande capacidade de análise e discernimento, dedicou boa parte de seus 62 anos de vida à difusão do Espiritismo. Os que tiveram a oportunidade de conhecê-lo puderam testemunhar o valor de um homem que colocou seus dons espirituais a serviço do próximo.
Faleceu em 6 de abril de 1927, em Florianópolis, e foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério de Coqueiros, cujo terreno havia sido doado por ele. Seu nome foi posteriormente dado a uma rua do centro de Florianópolis, por iniciativa da Prefeitura.
Fonte: Grandes Vultos do Espiritismo.

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