Corpo e Alma - Nubor Orlando Facure
Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec aborda dois capítulos muito interessantes para nosso entendimento da relação entre o corpo e a alma:
Capítulo IV
Influência do organismo
Pergunta 367 e seguintes.
Capítulo V
Idiotismo e loucura
Perguntas 371 a 378.
Anotei as seguintes afirmações, com adaptação ao nosso interesse:
- A matéria é apenas o envoltório do Espírito.
- O exercício das faculdades depende dos órgãos que lhes servem de instrumento.
- A grosseria da matéria enfraquece as faculdades do Espírito.
- O obstáculo que o corpo exerce sobre o Espírito é como um vidro opaco.
- A qualidade do trabalho depende da qualidade da ferramenta usada para executá-lo.
- A influência da matéria limita o exercício das faculdades espirituais.
- Uma alma inteligente sofre a influência do meio para se comunicar.
- Os órgãos têm grande influência na manifestação das faculdades, mas não são a origem delas.
- No idiota, quando o Espírito está em estado livre, ele tem plena consciência do seu estado.
No final da pergunta nº 605-a de O Livro dos Espíritos, há uma nota de Kardec com as seguintes afirmações:
"O corpo é um organismo vivo, dotado de vitalidade e de instintos, mas esses são cegos, limitados à própria conservação. [...] As duas naturezas, a animal e a espiritual, coexistem no homem e fazem com que suas paixões possam ter duas origens: umas procedem dos instintos ligados ao corpo; outras, das imperfeições do próprio Espírito, que, encarnado, se projeta nessa organização e simpatiza mais ou menos com os apetites grosseiros."
A ciência moderna admite que nossa mente e todas as suas faculdades procedem da atividade do cérebro.
As correntes espiritualistas admitem a existência de uma entidade imaterial que é a única responsável por nossas capacidades mentais.
Existe aqui um viés proposital, cada lado defendendo uma posição e excluindo a outra.
As questões básicas podem ser assim propostas:
- O cérebro pensa?
- Age ou determina comportamentos?
- O Espírito não sofre interferência do cérebro?
- Ele decide por conta própria?
- É senhor de nossas decisões?
- Determina comportamentos aos quais o cérebro tem de se submeter fielmente?
Podemos considerar o corpo como uma máquina que o cérebro usa como ferramenta e analisar algumas de nossas "máquinas".
O celular tem vários aplicativos.
Eles obedecem ao seu comando. Mas executam tarefas sem sua participação.
Por exemplo, arquivar documentos e fazer a limpeza desses arquivos.
Com o violino, um músico experiente executa melodias sublimes. Mas, se lhe faltam uma ou duas cordas, a sonoridade fica mutilada.
O prisma, atravessado por uma luz branca, a decompõe. Mas um vidro opaco distorce totalmente a luz.
A interação entre as funções do corpo, especialmente do cérebro, e as faculdades da alma exige nosso cuidado e disciplina.
Lição de casa:
- O cérebro tem desejos.
- O corpo faz exigências que o Espírito tem de atender.
O Espírito traça caminhos que nem sempre o corpo obedece.

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