A lição inesquecível

Eduardo, ou Dudu, como todos o chamavam, era um menino a quem nada faltava. Seu pai possuía um bom emprego, moravam numa bela casa e Dudu tinha tudo o que desejava.

Sendo filho único, crescera pensando que o mundo girava em torno dele e que todos tinham que fazer-lhe a vontade. Especialmente a mãe, que o idolatrava, e que procurava realizar seus menores desejos assim que ele os externasse. Por isso, Dudu tornara-se uma criança egoísta, insensível, e que só pensava em si mesma.

Alguns dias antes do Natal, o garoto passara com seu pai numa grande loja, onde estavam expostos brinquedos numa vitrina. Dudu ficou encantado com um brinquedo. Era um carrinho eletrônico, desses que andam sozinhos e fazem manobras.

Imediatamente ele começou a gritar:

— Eu quero esse brinquedo! Eu quero! Eu quero!... — e jogou-se no chão, esperneando.

Seu pai, preocupado com a educação do garoto, e procurando desenvolver nele outro tipo de atitude, disse-lhe, firme:

— Agora não, meu filho. Quem sabe no Natal?

Pegou na mão do menino e afastou-o da linda vitrine luminosa, onde já começava a juntar gente, atraída pelos gritos do garoto.

Chegando a casa, o pai de Dudu chamou-o para conversar, afirmando-lhe com carinho:

— Sabe, meu filho, não é assim que conseguimos as coisas que desejamos neste mundo. Temos que pedir e saber esperar.

Ele fez uma pausa e continuou:

— Peça para Jesus! Quem sabe você conseguirá o que tanto deseja?

Enxugando as lágrimas, e muito desapontado, Dudu foi dormir.

Em sua cabecinha, Natal estava muito ligado à presença de Jesus, representando a comemoração do seu nascimento. E seu pai sempre lhe afirmara que o presente era Jesus quem trazia. Então, Dudu fez sua oração antes de deitar, pedindo a Jesus que lhe trouxesse “aquele” presente no Natal.

E Dudu dormiu. Dormiu e sonhou.

Sonhou que estava na frente da sua casa brincando, quando chegou uma criança toda suja e maltrapilha.

Os olhos do pequeno mendigo se arregalaram quando viu os brinquedos de Dudu. Maravilhado, ele estendeu a mão para tocar num dos brinquedos. Era um cavalinho a que Dudu nem ligava mais; assim mesmo, ele gritou com o menino, como sempre fazia:

— Tire as mãos sujas do meu cavalinho. Vá embora! Ninguém toca nos meus brinquedos. São meus. Só meus!...

O pobre garoto recolheu a mão, assustado, balbuciando uma desculpa:

— Eu só queria tocar. Não ia levar embora, não. Só queria ver de perto. Ele é tão lindo!...

Porém Dudu, insensível e egoísta, não quis saber e continuou gritando:

— Suma daqui. Os brinquedos são meus e ninguém vai pôr a mão neles. Fora!

O garoto da rua baixou a cabeça, humilde, e, com os olhos úmidos, foi saindo triste e envergonhado.

Nisso, Dudu viu que se aproximava alguém, envolto em radiosa luminosidade. Era um homem de cabelos castanhos, olhos muito meigos e longas vestes.

Dudu reconheceu-o:

— Jesus!... — exclamou maravilhado.

A figura doce do Mestre aproximou-se mais. Trazia nas mãos um pacote que Dudu reconheceu ser a caixa daquele carrinho que ele tanto desejara na loja.

Estendeu as mãos, feliz, para receber o presente. Jesus atendera seu pedido e lhe trouxera o brinquedo!

De mãos estendidas, esperava o Mestre que se aproximava, mas Jesus, lançando-lhe um olhar triste, passou por ele sem parar.

Chegando junto ao garoto de rua, Jesus entregou-lhe o presente, abraçando-o carinhosamente, com infinito amor.  

O garoto, feliz, não sabia como agradecer, fitando o Mestre, encantado com a sua divina presença.

Ainda junto do menino da rua, Jesus olhou para Dudu e lhe disse:

— Faça aos outros tudo o que gostaria que os outros lhe fizessem — e afastou-se, desaparecendo entre névoas.

Dudu acordou em seu leito, envergonhado. Entendera a lição. Jesus estava triste com ele porque era muito egoísta.

Naquele dia, para surpresa de sua mãe, ele postou-se no jardim, junto com alguns brinquedos.

A primeira criança pobre que passou e parou no portão para olhar, ele convidou para entrar. Ofereceu leite e biscoitos, e depois permitiu que brincasse com seus brinquedos. Percebendo que o garoto gostara de um aviãozinho, deu-lhe de presente, dizendo delicadamente:

— Tome. É seu. Eu tenho muitos brinquedos e ele não me fará falta.

Sentiu-se recompensado vendo a alegria da criança, que foi embora feliz.

Daí por diante, para surpresa de seus pais, agiu sempre assim, tratando bem a todos.

E no dia de Natal, quando acordou, correu para a árvore e, vendo o lindo pacote que lhe era dirigido, agradeceu, comovido:

— Obrigado, Jesus, pelo lindo presente... e pela lição que recebi.

 

Tia Célia



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