Pílulas gramaticais (dezembro de 2019)

Dos chamados erros comuns que ocorrem no uso do idioma português, eis mais dez exemplos:

1. Não estou ao par do que ocorreu na reunião.

O correto: Não estou a par do que ocorreu na reunião.

Explicação: A expressão “ao par” indica moeda ou título de valor idêntico. “A par” é que significa “ciente de”.

2. João não é, mas sua mulher é, sim, pão-dura.

O correto: João não é, mas sua mulher é, sim, pão-duro.

Explicação: A expressão “pão-duro” aplica-se a homens e mulheres.

3. No Oriente ainda vigora a chamada pena de Talião?

O correto: No Oriente ainda vigora a chamada pena de talião?

Explicação: A palavra talião não é nome próprio. Trata-se de substantivo comum que designa o castigo que consiste em fazer sofrer ao delinquente o que ele fez sofrer à vítima.

4. Esse fato ocorreu há milhares de anos atrás.

O correto: Esse fato ocorreu há milhares de anos.

Explicação: A frase se reporta a um acontecimento passado; por isso, a palavra “atrás” é redundante, visto que, se o fato ocorreu, só pode ter sido lá atrás.

5. O barulho veio de traz.

O correto: O barulho veio de trás.

Explicação: O termo correto é “trás”, advérbio, que não devemos confundir com “traz”, do verbo trazer. O elemento “trás” é encontrado nas palavras traseira, detrás, atrás.

6. Roberto não deixa de ser desmancha-prazer.

O correto: Roberto não deixa ser desmancha-prazeres.

Explicação: Como ocorre com vários substantivos compostos, em “desmancha-prazeres” o segundo elemento vem sempre na forma plural. Outros exemplos: salva-vidas, guarda-costas, toca-discos, guarda-livros.

7. Na volta da fazenda, meu vizinho comprou dois tico-tico.

O correto: Na volta da fazenda, meu vizinho comprou dois tico-ticos.

Explicação: Nos substantivos compostos formados pela repetição da mesma palavra, o plural atinge o segundo elemento. Outros exemplos: teco-tecos, quebra-quebras, tique-taques.

8. É conosco mesmos que eles terão de tratar.

O correto: É com nós mesmos que eles terão de tratar.

Explicação: Não se usa a forma “conosco” quando for seguida das palavras mesmos, próprios, todos, outros ou de uma oração adjetiva. Exemplos: O chefe terá de falar com nós todos. O diretor simpatizava com nós, que éramos seus conterrâneos.

9. A mãe de nossa madrasta estava sempre de mal humor.

O correto: A mãe de nossa madrasta estava sempre de mau humor.

Explicação: “Mal” é advérbio; é o contrário de “bem”. “Mau” é adjetivo; é o contrário de “bom”. Da mesma forma que dizemos “bom humor”, devemos dizer “mau humor”, porque é o adjetivo que modifica os substantivos. Exemplos: Mau aluno, maus professores, maus deputados.

10. No fim do ano, se nada der errado, iremos à Roma.

O correto: No fim do ano, se nada der errado, iremos a Roma.

Explicação: Não se usa crase antes de nome de cidade. Exemplos: Fomos a Maringá, a Paris, a Jerusalém, a Curitiba. A crase em tais casos só se admite se o nome da cidade vier acompanhado de uma expressão ou palavra modificadora. Exemplos: Fui à Roma dos césares. Irei à Curitiba dos pinheirais.



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