Fraternidade triunfante

“... Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática será comparado ao homem sensato que construiu sua casa sobre a rocha.” -  Jesus (Mateus, VII:24-25)


Iniciamos essas linhas compilando um parágrafo, apenas um, do prefácio de Humberto de Campos, do livro “Boa Nova”, psicografado por Chico Xavier em 1940, livro que deveria ser de leitura continuada, dada a beleza de episódios da vida de Jesus, que ele retrata. Gostaríamos de aqui colocar o prefácio todo, devido ao conteúdo, mas como não é possível, por ser extenso, convidamos o leitor a procurá-lo e lê-lo na íntegra.

Segue o parágrafo:

“... Hoje, não mais cogito de crer, porque sei. E aquele Mestre de Nazaré polariza igualmente as minhas esperanças. Lembro-me de que, um dia, palestrando com alguns amigos protestantes, notei que classificavam a Jesus como ‘rocha dos séculos’. Sorri e passei, como os pretensos espíritos fortes de nossa época, aí no mundo. Hoje, porém, já não posso sorrir, nem passar. Sinto a ‘rocha’ milenária, luminosa e sublime, que nos sustenta o coração atolado no pântano das misérias seculares...”

Inumeráveis são os espíritos que, encarnados no planeta, também sentem a “rocha” milenária, vivendo os ensinamentos de Jesus, por amor a ele. São anônimos para o mundo. O mundo, acostumado às coisas materiais, a enxergar os pretensos vitoriosos no campo passageiro da matéria transitória, aplaudindo os que aparentemente têm “sucesso” na vida econômica e social, não os enxerga, não fala deles. São os verdadeiros vitoriosos, os do campo do amor fraterno, que por certo, Jesus conhece um a um, pois ele mesmo disse que os seus discípulos seriam conhecidos pelo amor que dedicassem uns aos outros.

Se o mal ainda parece grassar em muitas ações dolorosas de enfermos da alma, o bem está caminhando firme, os discípulos anônimos crescem em toda a parte, bastando a nossa despretensiosa observação para enxergar esse fato. Pouco a pouco, no cotidiano, o bem se tornará a maioria no planeta. Essa maioria silenciosa, cresce a olhos vistos. Grande parte das pessoas é boa, só se precisa divulgar mais o bem e parar com a divulgação excessiva do mal, que ele naturalmente, deixando de ocupar as primeiras posições dos noticiários, cederá lugar ao bem, que é o que deve viver no coração do homem.

Quanto mais nos colocamos na posição de observadores, mais vemos a fraternidade crescente.

Se o mal ainda tem muitas raízes nesse mundo, o bem está cada vez maior, só que perseverante, silencioso. As pessoas estão ouvindo a voz de seus corações.

Há alguns dias, conhecemos uma jovem senhora, cabeleireira. Não tem uma religião definida. Estuda de tudo um pouco. Tem um sentimento de compaixão que brilha em sua alma. Durante anos, sozinha, fazia em sua casa, centenas de marmitas de alimentos, que como nos disse ela, seria aquilo que ela comeria; se não estivesse bom para ela, não o faria. Distribuía nas ruas de Londrina, para os mendigos comerem. Eles começaram a descobri-la, iam até sua casa para a cumprimentarem. Lembra-nos a dama da caridade, referida em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, que trabalhava para socorrer os aflitos e um dia, uma de suas protegidas a descobriu. Silêncio, disse ela, não o digas a alguém.

Essa jovem cabeleireira fez esse trabalho por anos seguidos, até não ter condições econômicas para continuar mais. Não parou, no entanto. Integra hoje o grupo do banho solidário, que leva equipamento para banho de moradores de rua, inclusive o banheiro, para tomarem banho. Trabalho muito bonito. Ofertar um banho a quem necessita. Outros integrantes voluntários estão nessa tarefa. O bem cresce em todos os lugares. Há trabalho voluntário a se escolher. Ela conhece o “Reiki” e vai fazer também trabalho voluntário em hospital que aceitou receber o serviço para os pacientes.

Conhecemos milhares de pessoas que trabalham no bem. Músicos que tocam violino nos hospitais, jovens que se vestem de palhaços e vão alegrar as crianças e pessoas internadas. Pessoas que fazem comida para os pobres, pessoas que abrem seus ouvidos aos desabafos e buscam consolar, tentando reduzir aas chances de suicídio; pessoas que estão evangelizando, levando os ensinamentos de Jesus, tentando reduzir a violência com o conhecimento do evangelho do Cristo; pessoas que alfabetizam; pessoas que estão tentando retirar os drogados dos vícios, enfim pessoas que como essa cabeleireira humilde, ouviram o chamamento da caridade, da compaixão e resolveram agir. São felizes com isso.

Esses trabalhos parecem sacrificiais para quem ainda não compreende esse desejo da alma, mas para quem os pratica são gratificantes. O bem faz muito bem.

Há poucos dias, fomos visitar uma senhora bem idosa em sua residência. Não tem nenhum filho, não consegue mais cuidar de si mesma, não tem parentes ali. Sua casa estava novinha, recém-pintada, limpa, num local muito pobre, onde as ruas próximas não primam pela limpeza. Tudo estava limpo, ela limpinha, uma cuidadora vinte e quatro horas com ela. Ação dos vizinhos. Um vizinho ao lado cuida de sua aposentadoria e administra tudo para ela, vai até lá várias vezes ao dia, a conhece há uns quarenta anos, disse ele. Querida pelos vizinhos, adotada por eles, agora, na extrema velhice. Alguns apareceram lá, enquanto a visitávamos.

Ações assim nos emocionam, fazem-nos ver que o mundo está melhorando sim. O amor cresce. As pessoas que ouviram o evangelho de Jesus um dia, ou tiveram conhecimento dele, o sentiram na intimidade do coração, não ficaram descuidadas. Assentaram a casa sobre a rocha e anonimamente o seguem, dia a dia, enaltecendo o amor com seus atos.

A fraternidade está aumentando. O amor está vencendo. O mundo vai melhorar. Confiemos. Jesus está no leme da embarcação chamada Terra.



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