Vento de mudanças

Quando as árvores começam a desapegar-se de suas folhas, soltando-as bem de mansinho, para que esvoaçam no ar, rodopiando ao sabor da aragem, depositando-se no solo ainda verde da grama e arbustos, sinaliza-se a mudança de estação. Tenho comigo que o outono nos traz o céu mais lindo de todas as estações. O avermelhado-alaranjado forma desenhos que inspiram poetas em suas peças - poemas, prosas e trovas – como também inspiram escritores a escrever crônicas e artigos que trazem imenso bem-estar à alma do leitor.

Muito me emocionam os céus de outono e de há muito escrevo poemas, e um especialmente criado espontaneamente como uma prece ao lindo céu colorido. Eram quase 6 horas da tarde, nos arredores de Curitiba, no ano de 1994. Estava dirigindo meu carro com meu neto Talles, na época com seus 3 aninhos, e uma amiga-irmã Lucélia.  O momento era tão lindo, que paramos e eu declamei de minha alma, e depois escrevi, para não perder as palavras de amor ao outono.  Transcrevo aqui aos meus leitores, que compartilham da apreciação deste panorama que vou descrever, com o título “Te adoro, tardes de outono”:

Te adoro, tardes de outono,
Por entre nuvens douradas,
Por entre pastos e campos,
No lombo de mulas cansadas,
No chão que da terra firme
Agradece ao Senhor o orvalho
Que beija gramíneas e flores
E veste o choupo e o carvalho.
Te adoro, tardes de outono,
Te adoro, tardes...
Te adoro...

Entre os meus mais de 600 poemas, 90 por cento são dedicados à paz, à natureza, a Jesus, a Maria Santíssima, ao bem e à mudança interior. Neste título “Vento de mudanças” quero colocar a minha ideia da mudança de estação, da mudança das folhas no chão, que mudam seus espaços e vão-se transformando em adubo, para renovação do alimento do solo, preparando a árvore, para hibernar por um período, para se renovar na primavera de amor da natureza.

Também nós temos nosso outono da vida, em que colorimos nosso céu interior com as pinceladas harmoniosas do artista maior, Criador de nossas almas, para deleitarmos a nossa própria natureza com as mudanças que se seguem, no curso normal da vida.

Já se passaram quase 30 anos, daquela tarde que se repetirá por muitas tardes lindas, com o vento da mudança sempre renovando ânimos de todos nós, os que sabemos apreciar a natureza. Nosso outono da vida, continua com seu colorido quente, cheio de vigor e energia, e nada exige de nós, a não ser que vivamos a vida, dentro da cartilha dos ensinos do Mestre Jesus, que certamente, planejou toda a forma de vida neste planeta, junto ao artista maior, o Criador, e para nosso deleite tudo é muito lindo, quando temos olhos de ver. Olhos de ver, os da alma, que vimos além da paisagem material a paisagem mais bela do outono de nossas almas.

Fica aqui um convite aos irmãos e amigos, leitores de nosso jornal, para que apreciem o céu, olhem para o céu, deitem-se na relva e admirem a beleza do infinito sobre nossas cabeças; aproveitem e vejam o céu à noite, para que possamos exercitar a emoção, pois não tem como não se emocionar quando paramos para apreciar os detalhes da Natureza.

Quisera eu continuar a declamar poemas, a escrevê-los, para casamentos, para datas e momentos, para imortalizar sentimentos, que é uma forma de apreciar a natureza que temos dentro de nós, e valorizar a natureza do outro, de nossos irmãos e irmãs que vivem conosco, exercitam conosco a amizade, o respeito, a caridade, a prática do Amai-vos uns aos outros, como Ele nos amou.

De meu coração, o exercício é diário. E que possamos nos encontrar sempre aqui no nosso Jornal O Imortal, que traz nossas crônicas de além-mar de há muito.

Gratidão.

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Elsa Rossi, escritora e palestrante espírita brasileira radicada em Londres, é presidente da BUSS - British Union of Spiritist Societies.



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